A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) marca uma mudança estrutural na gestão das empresas brasileiras ao incluir, de forma obrigatória, os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A medida ganha força em um momento crítico: o Brasil registrou, em 2025, mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica recente.
A nova diretriz exige que organizações identifiquem, avaliem e controlem fatores como sobrecarga de trabalho, assédio, falta de suporte, conflitos e isolamento — elementos antes pouco mensurados, mas cada vez mais presentes na rotina corporativa.
O avanço dos transtornos mentais no trabalho
Os dados indicam que o adoecimento emocional já se tornou um dos principais desafios do mercado de trabalho. Em 2025, os transtornos mentais representaram cerca de 13,6% de todos os afastamentos concedidos pelo INSS, consolidando-se como uma das principais causas de licença médica no país.
Entre os diagnósticos mais frequentes, destacam-se:
Ansiedade (CID F41): 166 mil afastamentos
Depressão (CID F32): 126 mil casos
Transtornos depressivos recorrentes: mais de 60 mil ocorrências
Juntos, esses quadros já figuram entre os principais motivos de afastamento, atrás apenas de doenças musculoesqueléticas.
O impacto vai além da saúde individual. Estimativas apontam que os afastamentos por transtornos mentais geraram custos próximos de R$ 3,5 bilhões ao sistema previdenciário.
O que muda para empresários e lideranças
Com a atualização da NR-1, a gestão da saúde mental passa a ser tratada como uma responsabilidade organizacional — com implicações legais, financeiras e reputacionais.
Na prática, as empresas deverão:
- Mapear riscos psicossociais de forma estruturada
- Implementar ações preventivas e corretivas
- Capacitar lideranças para identificar sinais de sofrimento
- Monitorar indicadores como absenteísmo, turnover e clima organizacional
Especialistas apontam que o não cumprimento pode aumentar não apenas o risco de autuações, mas também o custo oculto do adoecimento nas equipes:
“O que a NR-1 faz é tornar visível algo que já estava acontecendo há anos. O sofrimento emocional no trabalho deixa de ser um problema individual e passa a ser reconhecido como risco organizacional, com impacto direto em produtividade, turnover e sustentabilidade do negócio”, afirma uma especialista em saúde mental corporativa.
Mudança de cultura e impacto nos resultados
A atualização da norma reflete uma tendência global: empresas mais maduras já tratam saúde mental como indicador estratégico.
Isso porque ambientes com altos níveis de estresse e baixa segurança psicológica tendem a apresentar:
- Maior rotatividade
- Queda de engajamento
- Aumento de erros e acidentes
- Perda de produtividade
Por outro lado, organizações que investem em prevenção e cultura saudável conseguem melhorar desempenho e retenção de talentos.
Conclusão
A nova NR-1 consolida um movimento irreversível: a saúde mental deixa de ser um tema periférico e passa a integrar o núcleo da gestão empresarial. Para empresários, o desafio agora não é apenas cumprir a norma — mas transformar esse requisito em vantagem competitiva em um cenário onde pessoas e resultados estão cada vez mais interligados.
Referências:
https://cajuina.org/principais/data-cajuina/brasil-534-mil-afastamentos-saude-mental-2025